Bom, a Liga dos Blogues pediu uma lista minha dos melhores filmes vistos na Mostra SP. Aproveito e publico ela aqui:
Top 10 Mostra SP 2008
1º Aquele Querido Mês de Agosto (Miguel Gomes, 2008) = ****
Vejamos... esse filme é um documentário sobre os tipos e causos de certa região de Portugal, uma seleção de apresentações de rock meloso português, cenas picaretas dos bastidores das filmagens (com um Miguel Gomes hilário interpretando a si mesmo) e um melodrama sobre o primeiro amor. O mais incrível é que tudo isso se encaixa não só como conceito, mas como narrativa também. Tudo coroado com bom humor e despretensão. Realmente genial.
2º A Fronteira da Alvorada (Philippe Garrel, 2008) = ***
Depois de Amantes Constantes, Garrel arma outra angustiante encruzilhada entre passado e futuro, liberdade e responsabilidade, política e conformismo. Ao ver um filme desses, você quase acredita que a arte de encenar, enquadrar e fotografar um filme está em extinção. Talvez Garrel acredite nisso.
3º Sonata de Tóquio (Kiyoshi Kurosawa, 2008) = ***
Uma comédia/drama sobre a difícil luta pela sobrevivência econômica e convivência mútua duma tradicional família japonesa. E dá pra perceber a experiência do diretor com filmes de terror. Kurosawa se mostra aqui um mestre nas imagens e sons (mas nem sempre na narrativa).
4º Deixe Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2007) = ***
Uma pérola da Suécia. Uma linda história de afeto entre um psicopata mirim e uma vampirinha... e a gente torce por eles! Fofinho e macabro.
5º A Floresta dos Lamentos (Naomi Kawase, 2008) = ***
Demora um pouco pra engatar, mas depois o filme transborda VIDA (da felicidade ao desespero) em cada fotograma. Seqüências extraordinárias, só que o filme perde força entre elas.
6º Horas de Verão (Olivier Assayas, 2008) = ***
O que fazer com o passado? Preservá-lo? A seqüência no museu é triste pra burro. Criar uma nova história (os jovens no jardim, no desfecho)? Não é a resposta, mas é inevitável.
7º Segurando as Pontas (David Gordon Green, 2008) = **
Cinema político americano dos bons, justamente porque sua política não é tão evidente. Texto meu na Paisà.
8º O Canto dos Pássaros (Albert Serra, 2008) = **
O filme foi tão odiado pelo público da Mostra (sessões sendo abandonadas em massa), que quando eu finalmente o assisti, ele me surpreendeu pela leveza e bom humor. Os três Reis Magos são geniais.
9º Steak (Quentin Dupieux, 2007) = **
Uma comédia sobre códigos de conduta que ditam quem tá "in" e quem tá "out"? Talvez. Um filme muito esquisito? Com certeza.
10º Loki - Arnaldo Baptista (Paulo Henrique Fontenelle, 2008) = **
Sim, é convencional (pensado pra TV, inclusive). Mas poucos filmes convencionais emocionam assim. A ausência de Rita Lee é tão intrigante quanto prejudicial.
10 de nov. de 2008
Indie – Mostra de Cinema Mundial
Hannah Takes the Stairs (Joe Swanberg, 2007) = 0
Banal, esteticamente limitado e com atuações nível Youtube. Contudo, fiquei comovido com essa defesa dele, que me fez entender o projeto de Swanberg. Eu só não tenho paciência pra ele.
Tudo Perdoado (Mia Hansen-Love, 2007) = *
Fiquei em dúvida se a anemia do filme era proposital pra aumentar o impacto dos poucos momentos de emoção (a esposa abandonando o marido é uma pancada e tanto) ou se Mia tinha se contaminado pela apatia do protagonista, um pai de família desmotivado e viciado. Aí começa a segunda parte do filme, muito forte, especialmente ao lidar com a memória do espectador sobre a primeira parte. Estréia irregular, mas promissora.
Hannah Takes the Stairs (Joe Swanberg, 2007) = 0
Banal, esteticamente limitado e com atuações nível Youtube. Contudo, fiquei comovido com essa defesa dele, que me fez entender o projeto de Swanberg. Eu só não tenho paciência pra ele.
Tudo Perdoado (Mia Hansen-Love, 2007) = *
Fiquei em dúvida se a anemia do filme era proposital pra aumentar o impacto dos poucos momentos de emoção (a esposa abandonando o marido é uma pancada e tanto) ou se Mia tinha se contaminado pela apatia do protagonista, um pai de família desmotivado e viciado. Aí começa a segunda parte do filme, muito forte, especialmente ao lidar com a memória do espectador sobre a primeira parte. Estréia irregular, mas promissora.
9 de nov. de 2008
Meu Nome é Dindi (Bruno Safadi, 2007) = *
Eu queria ter gostado mais, porque sou favorável a qualquer filme brasileiro que arrisca a construção de um tom onírico. Aqui, freqüentemente de pesadelo, embora algumas passagens surpreendam pela beleza. Porém, as idéias de Bruno Safadi nunca entram em harmonia e o filme não forma um todo sólido. Mas eu não riscaria o nome dele da lista de cineastas promissores. Belo uso dos olhos esbugalhados da Djin Sganzerla.
Eu queria ter gostado mais, porque sou favorável a qualquer filme brasileiro que arrisca a construção de um tom onírico. Aqui, freqüentemente de pesadelo, embora algumas passagens surpreendam pela beleza. Porém, as idéias de Bruno Safadi nunca entram em harmonia e o filme não forma um todo sólido. Mas eu não riscaria o nome dele da lista de cineastas promissores. Belo uso dos olhos esbugalhados da Djin Sganzerla.
8 de nov. de 2008
007 - Quantum of Solace (Marc Forster, 2008) = **
As cenas de ação nunca empolgam porque, ao contrário de Cassino Royale, elas são confusas demais. Depois dum começo vertiginoso e chato, Quantum of Solace melhora muito assim que o elenco recebe um material mais interessante pra trabalhar. Giancarlo Giannini ganha a melhor cena, enquanto Mathieu Amalric se diverte interpretando Nosferatu – o que faz muito sentido, já que as empresas e governos são vistas como vampiros. Prefiro o filme anterior.
Indie – Mostra de Cinema Mundial
Êxtase dos Anjos (Koji Wakamatsu, 1972) = 0
Por quê o Exército das 4 Estações luta tanto contra o governo quanto entre eles próprios? A total falta de detalhamento das motivações dos personagens por si só não garantiria meu completo desinteresse. É que o filme gira o tempo todo em torno das intermináveis discussões deles a respeito de suas incompreensíveis convicções. É uma escolha consciente de Wakamatsu, mas que torna o filme insustentável.
As cenas de ação nunca empolgam porque, ao contrário de Cassino Royale, elas são confusas demais. Depois dum começo vertiginoso e chato, Quantum of Solace melhora muito assim que o elenco recebe um material mais interessante pra trabalhar. Giancarlo Giannini ganha a melhor cena, enquanto Mathieu Amalric se diverte interpretando Nosferatu – o que faz muito sentido, já que as empresas e governos são vistas como vampiros. Prefiro o filme anterior.
Indie – Mostra de Cinema Mundial
Êxtase dos Anjos (Koji Wakamatsu, 1972) = 0
Por quê o Exército das 4 Estações luta tanto contra o governo quanto entre eles próprios? A total falta de detalhamento das motivações dos personagens por si só não garantiria meu completo desinteresse. É que o filme gira o tempo todo em torno das intermináveis discussões deles a respeito de suas incompreensíveis convicções. É uma escolha consciente de Wakamatsu, mas que torna o filme insustentável.
7 de nov. de 2008
Indie – Mostra de Cinema Mundial
Não custa avisar que esse evento começa hoje. Nos próximos dias serão exibidos 40 filmes no Cinesesc. A seleção alterna títulos de pouca e nenhuma repercussão. Ou seja, é o ideal pra quem gosta de arriscar. O maior destaque deve ser mesmo a retrospectiva do japonês Koji Wakamatsu. Quem quiser mais dicas pode conferir no blog novo do Filipe Furtado. Veja a programação do Indie, clicando aqui.
Não custa avisar que esse evento começa hoje. Nos próximos dias serão exibidos 40 filmes no Cinesesc. A seleção alterna títulos de pouca e nenhuma repercussão. Ou seja, é o ideal pra quem gosta de arriscar. O maior destaque deve ser mesmo a retrospectiva do japonês Koji Wakamatsu. Quem quiser mais dicas pode conferir no blog novo do Filipe Furtado. Veja a programação do Indie, clicando aqui.
6 de nov. de 2008
Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada (Peter Hedges, 2007) = *
Steve Carell se apaixona pela namorada do irmão quando a encontra por acaso numa livraria. Mas o diretor Peter Hedges é tão preguiçoso que ele resume este encontro a um clipe vagabundo de música sentimental e frases soltas dos personagens. Assim não dá pra acreditar na paixão do Carell. É um vício de certo cinema contemporâneo evitar filmar o prosaico porque isso supostamente é chato.
Uma burrice, pois até algo tão corriqueiro quanto duas pessoas conversando numa livraria pode ser especial nas mãos certas. No mais, é o tipo de filme cujas imagens de bom gosto impõem um tom morno e sabotam cenas que poderiam render mais gargalhadas – como o chuveiro e a dança no bar.
Steve Carell se apaixona pela namorada do irmão quando a encontra por acaso numa livraria. Mas o diretor Peter Hedges é tão preguiçoso que ele resume este encontro a um clipe vagabundo de música sentimental e frases soltas dos personagens. Assim não dá pra acreditar na paixão do Carell. É um vício de certo cinema contemporâneo evitar filmar o prosaico porque isso supostamente é chato.
Uma burrice, pois até algo tão corriqueiro quanto duas pessoas conversando numa livraria pode ser especial nas mãos certas. No mais, é o tipo de filme cujas imagens de bom gosto impõem um tom morno e sabotam cenas que poderiam render mais gargalhadas – como o chuveiro e a dança no bar.
O nome deste blog é uma homenagem ao último filme do Yasujiro Ozu, A Rotina Tem Seu Encanto. E olha a picaretagem: apesar de ser fã do Ozu, eu nunca vi o filme em questão! Mas acho que o nome funciona muito bem como uma declaração de princípios deste blog. A paixão pelo cinema como rotina, como uma parte indispensável da (minha) vida. Eu pretendia detalhar porque este blog será melhor que o anterior, mas prefiro que vocês descubram isso aos poucos.
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